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domingo, 26 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27954: O PIFAS, de saudosa memória (20): relembrando aqui o "senhor primeiro" Silvério Dias e a "senhora tenente" Maria Eugénia, figuras carismáticas do programa radiofónico das Forças Armadas (Rep ACAP / QG / CCFAG, 1969/74)


A mascote do Programa [de Informação] das Forças Armadas (PIFAS), da responsabilidade da Repartição de Assuntos Civis e Acção Psicológica (Rep ACAP / QG / CCFAG). A mascote do PIFAS... tem pai(s): segundo informação do João Paulo Dinis, um dos locutores do programa em 1970/72, o pai da "ideia" foi o fur mil Jorge Pinto, que trabalhava no QG, ideia a que depois deu corpo um outro camarada, o José Avelino Almeida, cuja companhia estava em Mampatá e Aldeia Formosa...

Imagem cedida pelo nosso camarada Miguel Pessoa, cor pilav ref (ex-ten pilav, Bissalanca, BA 12, 1972/74).



Alguns de nós lembram-se do filme, "Good Morninbg, Vietanm"  (EUA, 1981, 121 m, a cores) (em portuguès, "Bom Dia, Vietname).  (Cartaz: cortesia da Wikipedia)

Sinopse: 

Em 1965, o DJ Adrian Cronauer, protagonizado pelo grande ator cómico  Robin Williams (1951-2014), é recrutado para dirigir o programa de rádio das forças armadas norte-americanass  no Vietname. 

Irreverente, ele agrada aos soldados, mas enfurece Steven Hauk, um segundo-tenente e superior imediato de Cronauer, que tinha uma necessidade enorme de provar que era o "patráo". Movido pela inveja e ciumeira, ele tenta lixar o Cronauer, mas a sua popularidade é tal que é protegido pelos altos escalões.


 Guiné > Bissau > PFA (Programa das Forças Armadas), o popular Pifas > c. junho de 1971 > Noite 7 (Emissão especial aos sábados).

Na foto, o 1º cabo José Camacho Costa e o 1º srgt Silvério Dias. Reconhecem-se do na gravação, excertos musicais de Carlos do Carmo, José Mário Branco, Beatles e outros... Faz-se referência á chegada do homem à lua, à guerra no Laos e no Camboja, e dá-se a notícia da flagelação, à cidade de Bissau, com foguetões 122 mm de origem russa (em 9 de junho de 1971)... O Pifas era considerado mais "liberal" do que a EN - Emissora Nacional, a "voz do regime".

[Ouvir aqui o compacto aúdio, de Garcez Costa, antigo locutor.  Vídeo (6' 31''): Alojado em You Tube > Nhabijoes ]

Foto (e ficheiro áudio): © Garcez Costa (2012). Todos os direitos reservados.  [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Silvério Dias, que acaba de falecer (*), soube aproveitar o talento de jovens radialistas (militares) (como o  José Camacho Costa, o Dias Pinto, o Garcês Costa, o João Paulo Dinis, o Armando Carvalhêda, etc.), era o "senhor Pifas", por antonomásia (**). 

A sua bela e potente voz era conhecida por toda a gente, pela tropa (em Bissau e no mato) bem como pela população civil. O programa era o nosso "Good Morning, Vietnam!", salvaguardadas algumas diferenças substanciais e o contexto.

Silvério Pires Dias (Vila Velha de Ródão, 1934 - Oeiras, 2026) esteve à frente do programa de rádio das Forças Armadas Portuguesas (PFA ou PIFAS, como era conhecido popularmente, Bissau, Rep ACAP /QG /CCFAG, de 1969 a 1974).

Trabalhou com "capitães de Abril" como Ramalho Eanes e Otelo Saraiva de Carvalho, depois de ter feito  em 1967/69 uma comissão de serviço  na CART 1802 (Nova Sintra, 1967/69). Veja-se aqui a ficha de unidade.


2. Ficha de unidade > Companhia de Artilharia n.º 1802

Identificação: CArt 1802
Unidade Mob: RAL 3 - Évora
Cmdt: Cap Mil Art António Nunes Augusto | Cap Art Luís Fernando Machado de Sousa Vicente  | Cap Mil Art Emílio Moreira Franco
Divisa: "Honra e Glória"
Partida: Embarque em 280ut67; desembarque em 02Nov67 | Regresso: Embarque em 23Ag069.

Síntese da Actividade Operacional

Em 03Nov67, seguiu para Farim a fim de efectuar a instrução de adaptação operacional sob orientação do BCaç 1887 e, seguidamente, reforçar temporariamente, este batalhão numa série de operações realizadas no sector respectivo.

Em 10Dez67, recolheu a Bissau, a fim de integrar as forças de intervenção e reserva à disposição do Comando-Chefe, tendo tomado parte em diversas operações em reforço de vários batalhões, nomeadamente na região de Ponta do Inglês, na operação "Grão-Duque", em reforço do BCaç 1888 e na região de Choquemone, nas operações "Bolo Rei" e "Buzinar Novo", em reforço do BCav 1915, entre outras.

Em 11Jan68, foi deslocada para S. João, onde substituíu um pelotão da CCaç 1566 e desenvolveu a actividade de reconhecimentos, patrulhamento e batidas na área e abertura e limpeza de itinerários, com vista à criação do subsector de Nova Sintra na zona de acção do BArt 1914. 

Em 06Mai68, assumiu então a responsabilidade deste novo subsector de Nova Sintra, com um pelotão destacado em S. João.

Em 030ut68, foi substituída, por fracções, pela CCav 2484, seguindo para Bissau, a fim de colmatar anterior saída do CArt 1689 no dispositivo do BCaç 1911 e colaborar na segurança e protecção das instalações e das populações da área.

Em 12Mar69, iniciou o deslocamento por pelotões para os destacamentos de Pelundo e ilha de Jete, tendo em 18Mai69 substituído, totalmente, por troca, a CCaç 1683, como força de intervenção e reserva do sector do BCaç 2845, com a sede em Teixeira Pinto.

Em 29Abr69, por criação do subsector respectivo, foi colocada em Pelundo, mantendo um pelotão destacado na ilha de Jete e continuando integrada no dispositivo e manobra do BCaç 2845; em O1Ju169, por alteração dos limites dos sectores, passou à dependência do BArt 2866 e depois do BCaç 2884.

Em 06Ag068, foi rendida no subsector de Pelundo pela CCaç 2586 e recolheu temporariamente a Bula, onde se manteve até à véspera da data de embarque, seguindo então para Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.

Observações - Não tem História da Unidade. Tem Resumo de Factos e Feitos (Caixa n." 124
- 2ª Div/4ª Sec, do AHM).

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pp. 456/457.


Maria Eugénia e Silvério Dias, em 2017. Foto de LG (*)

3. Numa entrevista ao programa da Antena 1, Reportagem Tarde, em 11/2/2024, o Silvério Pires Dias e a esposa Maria Eugénia Valente dos Santos Dias contam, à  Sílvia Mestrinho, como acabaram por trabalhar na rádio.



O Pifas - Silvério Pires Dias era militar de carreira na Guiné e, meio por acaso, acabou aos microfones da rádio. Memórias contadas à jornalista Sílvia Mestrinho | 11 fev 2014 (vd.ficheiro aúdio aqui)

 
4. O "senhor primeiro" e a "senhora tenente" são figuras lendárias desses tempos da rádio, e do programa que ficou comnhecido por Pifas. (Poderia ter- se chamado"Bom Dia, Guiné!".)

E,m 1969, o Silvério Dias, já 1º srgt art, acabou por tornar-se "o homem por trás da voz", o "senhor Pifas".

Era conhecido pelo seu  lado  humano e proximo,  pela sua empatia, e pela sua bela voz...Daí o epíteto de “senhor Pifas” entre a tropa. Depois da guerra acabou por ficar em Bissau como civil (delegado de propaganda médica) e mais tarde em Portugal manteve uma veia literária, com o blogue “Poeta Todos os Dias”. (Publicou inclusive, em 2017, um livro de poesia.)


A "senhora tenente" (Bissau, c. 1970/72)
 Foto de Garcês Costa  (2012)
A referência à “senhora tenente” também é mais que justa: Maria Eugénia (bastante mais nova do que ele, e com quem casou em 1960, e de quem um filho, Manuel Valente, a viver na Dinamarca):  era uma rapariga "alta e esbelta", com vinte e poucos anos quando se juntou ao marido em Bissau, por volta de 1969 (provavelmente no fim da comissão na CART 1802). 

Tornou-se, por sugestão de Ramalho Eanes (que em 1969/71,chefiava  o Serviço de  Radiodifusão e Imprensa), um elemento fundamental da equipa,  quase uma extensão emocional do "senhor Pifas", sobretudo na gestão dos aerogramas que os ouvintes (nomeadamente militares) enviavam ao programa) e na resposta aos “discos pedidos”, mas também quando aparecia no mato com o "senhor primeiro" para fazer uma reportagem ou para gravar as mensagens de Natal. ( O material era depois montado no estúdio, uma vivenda em Bissau; não havia emissões em direto.)

O Silvério Dias (e a Maria Eugénia, que era uma simples civil, que envergava camuflado e usava galões de tenente, com a cumplicidade dos responsáveis da Rep ACAP)  foram duas figuras agregadoras,  um belo par que fazia companhia à distância, pelas ondas hertzianas,  aos homens no mato.

Na realidade, o Pifas foi  mais que um programa de rádio. O PFA / PIFAS (Programa das Forças Armadas) era emitido a partir de Bissau e tornou-se de algum modo lendário. 

Silvério Dias, nesta entrevista à Antena 1, não esconde a razão de ser da sua criação, que  era obviamente política. Mas também sublinha que a sua função principal era, de facto, o entretenimento da tropa e a elevação do seu moral.

Era, igualmente, a ligação afetiva com a metrópole, a terra, a casa (através de cartas, mensagens, música). Tinha, por fim, um papel de ação psicossocial (integrado na estrutura militar e  na prossecução da política spinolista "Por uma Guiné Melhor"). 

Não era por acaso que o Pifas  era gerido pela Rep ACAP (Repartição dos Assuntos Civis e Acção Psicológica). 

A Rep ACAP/QG/CCFAG, na Amura, era uma das 4 repartições do Com-Chefe. Era responsável por conquistar a população local ("ganhar corações e mentes") através de apoio social, educação, saúde, melhorias de infraestruturas, informação e  propaganda (como o programa de rádio Pifas). 

A Rep ACAP articulava-se  com a estratégia de Spínola de "portugalizar" a Guiné, focando-se na ação psicológica e no apoio à população civil para contrariar a influência do PAIGC. Incluía a organização de manifestações de apoio à política do Governador, prestação de cuidados de saúde, administraçao,   ensino, distribuição de medicamentos e alimentos (nomeadamenmet arroz) e, claro, propaganda radiofónica, destacando-se nesse papel o Pifas (Programa de Informação das Forças Armadas).

Esta repartição funcionava no âmbito do Quartel General do Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné (QG/CCFAG), sob o comando direto de Spínola, e era uma estrutura fundamental na "guerra de contrassubversão"

Falaremos, noutro poste, dos conteúdos típicos do programa, que tinha três emissões diárias, e era feito em instalações próprias do QG/CCFAG, numa vivenda,  na Av Arnaldo Schulz. Incluíam discos pedidos (o coração do programa), leitura de aerogramas e mensagens pessoais, música da época (pop portuguesa e internacional), conversa leve, humor, notícias culturais. Diz a Maria Eugénia na entrevista que os discos mais pedidos eram os do conjunto Maria Albertina e a Valsa da Meia-Noite"...

 Há quem defenda que o Pifas era o equivalente português de “Good Morning, Vietnam!”. E a afirmação não anda longe da verdade, embora haja diferenças substanciais.

O impacto psicológico nas NT era grande. Era ouvido pelas NT, pelo IN e pela população. Do lado dos nossos militares, há  testemunhos que sugerem que “uma hora do Pifas" podia ser tão ou mais importante que uma carta ou aerograna da família.

Se quisermos, um programa radiofónico como o Pifas, em contexto de guerra e de isolamento da tropa,   tinha efeitos positivos: criava rotina num ambiente "caótico" (que era a vida em tempo de guerra no mato); humanizava a guerra; dava sensação de pertença (“alguém que falava para nós”); enfim, era ouvida em todo o lado, de Bissau a Buruntuma, do Cacheu a Cacine, nos quartéis e destacamentos do mato,  mas também nas messes e  repartições de Bissau,  na BA 12 em Bissalanca, nas embarcações da marinha, nas tabancas, etc,

Havia alguma liberdade criativa, mais solta (e até com alguma irreverência) do que a rádio em Portugal, a Emissora Nacional, mas sempre com limites de censura (e sobretudo autocensura, como disse o Armando Carvalheira).  Misturava informalidade com disciplina militar, Silvério Dias recebia instruçóes do Ramalho Eanes e mais tarde Otelo. 

Tinha até uma feliz “mascote” (o boneco do Pifas), uma espécie de "branding" avant la lettre.
 
Conhece-se alguma coisa da estrutura e dinâmica do programa, embora, e ao contrário do universo popularizado por "Good Morning, Vietnam!", o Pifas tenha ficado muito menos documentado e estudado de forma sistemática. Temos uma série, que merece ser revisitada, "O PIFAS., de saudosa memória" (de que se publicaram até agora 20 postes) (*)
 
O PIFAS (Programa de Informação das Forças Armadas) surge no contexto da governação de António de Spínola na Guiné (1968–1973), integrado numa estratégia mais ampla de ação psicológica: comunicação interna com as tropas, e com populações locais. Não era apenas rádio, articulava-se com um sistema de comunicação militar com várias vertentes: emissões radiofónicas, folhas informativas / boletins, semanário, cinema itinerante, campanhas cívico-militares, etc.

A rádio dentro do PIFAS: a componente radiofónica existia, mas não era uma “estrela solitária” como no caso americano. Funcionava mais como: 
  • rádio de apoio às tropas (música, muito dela pedida pelos ouvintes, militares e vivis), dedicatórias (“para o aquartelamento X, do camarada Y…”), mensagens de apoio moral;
  • informação controlada: notícias filtradas sobre a guerra,  relatos de operações com tom positivo, ausência de críticas ou ambiguidade;
  • ligação emocional: leitura de cartas, referências à “metrópole”, reforço da ideia de missão e camaradagem, humor,  notícias deptortivas,  chave do totoloto, etc.
Aqui nota-se a diferença entre o Pifas e o "Good Morning, Vietnam!": não havia espaço para figuras “à Robin Williams”, irreverentes ou disruptivas.
 
O Pifas (que emitia em protuguès, crioulo e principais línguas nativas) estava muito ligado à doutrina de “ganhar corações e mentes”, semelhante (em teoria) ao que os EUA também tentavam no Vietname sem sucesso (ao que parece).

Mas no caso português havia especificidades... Era uma programa mais "institucional"; integração com a política do “Portugal plurirracioal e pluricontinental”; tentativa de legitimar a presença histórica portuguessa na Guiné; dirigido em simultâneo aos militares e à população guineense (incluindo a que se encontrava sob controlo do PAIGC). Ou seja, não era só entretenimento, era  guerra psicológica estruturada.

O conhecimento sobre o Pifas vem sobretudo de memórias de militares (como as recolhidas no nosso blogue) (*), alguns estudos sobre ação psicológica na guerra colonial, documentação militar dispersa

Lamentavelmente, falta o arquivo sistemático das emissões, O  estudo académico aprofundado da rádio militar portuguesa e a comparação internacional detalhada (com o que foi feito noutras guerras coloniais...).

Com base nos testemunhos que temos, uma emissão típica do Pifas poderia soar assim: (i) abertura com música do filme "2001 - Odisseia no Espaço",; (ii)  locutor com voz vibrante mas mais sóbrio que o Robin Williams no filme "Good Morning, Vietname!", em todo o caso próximo do ouvinte; (iii)  leitura de mensagens entre unidades, notícias “positivas” de operação recente,  informaçáo desportiva, humor, etc.; (iv) fecho com música ou saudação...

Sem sarcasmo, sem confronto, mais próximo de uma “rádio de companhia disciplinada" do que de um palco criativo. Até por que o Silvério Dias, embora fosse um "homem da palavra", não era propriamente um radialista em 1969. 

O PIFAS foi discreto, mas importante, estruturado, mas pouco estudado, eficaz em alguns aspetos do moral da tropa, mas limitado pelos constrangimentos da hierarquia militar e pela censura. Mesmo assim, mais "liberal" do que a Emissora Nacional (EN), que era a voz do regime.
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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27945: In Memoriam (578): Silvério Pires Dias (1934 - 2026), o "senhor Pifas", por antonomásia, radialista do Programa das Forças Armadas em Bissau (1969/74), faleceu no passado domingo, aos 91 anos; era casado desde 1960 com a Maria Eugénia, a "senhora tenente"


Oeiras > Galeria-Livraria Municipal Verney > 4 de março de 2017 > 15h00 - 16h30> A antiga equipa que deu voz e alma ao PIFAS (Programa de Informação das Forças Armadas): o primeiro sargento Silvério Pires  Dias (nosso grã-tabanqueiro nº 651) e a famosa "senhora tenente", a sua esposa.Matria Eugénia. 
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Foto tirada na sessão de lançamento do livro de fotografia, da autoria de Jorge Ferreira, "Buruntuma: algum dia dia serás grande!... Guiné, Gabu, 1961-63" (edição de autor:  Oeiras, 2016; impressão: Jotagrafe - Artes Gráficas Lda)...    A apresentação esteve a cargo do nosso editor Luís Graça.

Foto (e legenda): © Luís Graça (2017). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Silvério Pires  Dias  (Vila Velha de Ródão, 1934- Oeiras, 2026). Viveu nove anos na Guiné, desde 1967 a 1976, os últimos dois como "delegado de propaganda médica", e cinco locutor e apresentador na rádio das Forças Armadas, gerida pela Rep ACAP / QG / CCFAG.



Silvério Dias, ex-2º sargt art, CART 1802, Nova Sintra, 1967/69; 1º srg art, locutor do PFA - Programa das Forças Armadas, Bissau, Rep ACAP,/QG/CCFAG, 1969/74m

Fotos : Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)



A mascote do Programa [de Informação] das Forças Armadas (PIFAS), da responsabilidade da Repartição de Assuntos Civis e Acção Psicológica Rep ACAP / QG / CCFAG. Autor da imagem:  (até à data) desconhecido. Imagem cedida pelo nosso camarada Miguel Pessoa, cor pilav ref (ten pilav, Bissalanca, BA 12, 1972/74).

Silvério Dias, que os jovens radialistas (militares) (como o Garcês Costa, o João Paulo Dinis,  o José Camacho Costa, o Armando Carvalheda, etc.)  tratavam por "paizinho", era o "senhor Pifas", por antonomásia. A sua bela e  potente voz era conhecida por toda a gente, pela tropa (em Bissau e no mato) bem como pela população civil e inclusive pelo IIN   O programa era o nosso "Good Morning, Vietnam!".


1. Através do formulário de contacto do Blogger, soubemos, pelo João Paulo Dinis, do falecimento (*) do nosso camarada Silvério Dias.  A notícia foi-lhe dada pelo "pifaniano" Jorge Varanda,  e conformada pela própria viúva, Maria Eugénia, a nossa conhecida "senhora tenente".

Segundo a sua página no Facebook, o Silvério Dias tinha orgulho nas suas raízes beirãs:  (i) nasceu em 19 de agosto de 1934, em Sarnadinha, Vila Velha de Ródão;  (ii) frequentou a Escola Industrial Machado de Castro, Lisboa; (iii) fez careira militar (passou pela Índia, Moçambique e Guiné);  (iv) vivia em Oeiras; (v) era casado e tinha pelo menos um filho, Manuel Valente vive na Dinamarca.
 
No CTIG, o Silvério Dias  esteve como 2º srgt art, CART 1802 (Nova Sintra, 1967/69) e depois, por convite, como 1º srg Art, locutor do PFA, Bissau QG/CCFAG, 1969/74 (onde trabalhoou na Rep ACAP com, entre outros oficiais,  Ramalho Eanes e Otelo Saraiva de Carvalho). Como  civil, foi delegado de propaganda médica, em Bissau (1974/76). 

Disse ele: 

(...) Para descrever as minhas (memórias), diria que só num livro de muitas páginas. Basta referir que "por lá andei" (na Guiné ) durante 9 (nove) anos, de 1967 a 1976. Granjeei amigos de todas as etnias e credos, admiradores ouvintes do PFA. e agradecimentos pelo bem-fazer, na minha condição de Delegado de Propaganda Médica, após abandono voluntário do Exército. (...) (**).

Era nosso grão-tabanqueiro nº 651 (desde 24/3/2014),  e um  caso extraordinário de "resistência e resiliência" contra os "males da idade"...Tem c. 3 dezenas de referências no nosso blogue.

Tinha deixado, infelizmente, de nos dar notícias, depois do último convívio da malta do Pifas no "Páteo Alfacinha", em Lisba, em 9/9/2023, com a presença do general Ramalho Eanes (***).

Tinha então 89 anos completados em 18 de agosto. Ainda me desafiou para aparecer, o que não me foi possível por estar fora de Lisboa. Um das últimas vezes que o vi, terá sido em Oeiras, na Galeria-Livraria Municipal Verney, em 4 de março de 2017, na apresentação do livro do Jorge Ferreira.

Editava o blogue "Poeta Todos Dias" ( criado em janeiro de  2011). E todos os dias, publicava um, dois, três, quatro , cinco ou seis apontamentos poéticos (em geral, quadras populares, sobre temas do quotidiano). Foram mais de 15 mil postes, até quase ao final de 2023. O blogue (ainda "on line") tem c. de 700 mil visualizações. 

Publicou em vida o livro de poesia "Neste lugar onde nasci" (2017).

 À viúva, filho, demais família e amigos "pifanianos", o nosso abraço de solidariedade na dor pela perda deste camarada, que foi um referência para muitos de nós que passámos pela "Spinolândia".



Lisboa > Páteo Alfacinha > 31 de maio de 1985 > Convívio do pessoal do emissor regional da Guiné e do PFA - Programa das Forças Armadas.

Foto: © Garcez Costa (2012). Todos os direitos reservados.  [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



 Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas, c. junho de 1971 > Noite 7 (Emissão especial aos Sábados).

Na foto, o 1º cabo José Camacho Costa e o 1º srgt Silvério Dias. Reconhecem-se excertos musicais de Carlos do Carmo, José Mário Branco, Beatles e outros... Faz-se referência á chegada do homem à lua, à guerra no Laos e no Camboja, e dá-se a notícia da flagelação, à cidade de Bissau, com foguetões 122 mm de origem russa (em 9 de junho de 1971)... O Pifas era considerado mais "liberal" do que a EN - Emissora Nacional, a "voz do regime".

[Ouvir aqui o compacto aúdio, de Garcez Costa, antigo locutor.  Vídeo (6' 31''): Alojado em You Tube > Nhabijoes ]

Foto (e ficheiro áudio): © Garcez Costa (2012). Todos os direitos reservados.  [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


segunda-feira, 31 de março de 2014

Guiné 63/74 - P12919: Estórias e memórias de Silvério Dias, radialista, PFA, 1969/74 (1): Como, por causa de um amigo, deixei a CART 1802, fiz provas para locutor do PFA e, mais tarde, abandonei voluntariamente o Exército


Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas, c. junho de 1971 > Noite 7 (Emissão especial aos Sábados).

Na foto, o 1º cabo José Camacho Costa e o 1º srgt Silvério Dias. Reconhecem-se excertos musicais de Carlos do Carmo, José Mário Branco, Beatles e outros... Faz-se referência á chegada do homem à lua, à guerra no Laos e no Camboja, e dá-se a notícia da flagelação, à cidade de Bissau, com foguetões 122 mm de origem russa (em 9 de junho de 1971)...

[Ouvir aqui o Compacto aúdio, de Garcez Costa, antigo locutor.  Vídeo (6' 31''): Alojado em You Tube > Nhabijoes ]

1. Mensagem do Silvério Dias, com data de hoje

Assunto: Voltar à Tabanca


Agora que "desbravei a picada" (*), é com maior naturalidade que me desloco até junto dos bons "rapazes da nossa Guiné". Para criar o tal ambiente, só falta mesmo o calor húmido. Porque, "manga de chuva" temos nós, nesta prima bera que não muda para melhor. 

Fora o humor negro, passo a expor alguns dados relativos à minha pessoa, face à curiosidade do barbas Luís Graça:

O meu percurso com a CArt 1802 incluiu presenças em Farim, S.João e Jabadá, com todas as contingências inerentes a uma Companhia Operacional.

Ao tempo, em deslocação a Bissau para reabastecimento de frescos, encontrei velho amigo que,  de forma entusiástica e sabendo das minhas actividades radiofónicas em Moçambique, me deu conta de que estavam necessitando de um locutor para o Programa das Forças Armadas. 

A "reboque", lá prestei provas de  leitura e dicção. "Tiro e queda"!

Substitui o então profissional da E.N. [Emissora Nacional] 
Lima Jorge, dando início a nova missão e a possibilidade de ter comigo parte da família. Esse foi sem dúvida o prémio maior.

Também não será desajustado dizer que o encontro fortuito com o amigo, António Martins, mudou radicalmente o meu futuro. Quiçá o meu destino, porquanto começava a desenhar-se um certo desencantamento, quanto às missões que aos militares estavam destinadas.

Na Guiné, mercê do empenho do então Major, António Ramalho Eanes e a influência do General Spínola, abandonei voluntariamente, o Exército, para muitos, impensável, tratando-se de um 1º Srgt .do Quadro Permanente.

Já nesse tempo: Mandava quem podia!

Fica por hoje este fragmento. Prometo voltar, dissipando duvidas e contando "estórias"...

Oxalá tenham paciência para as ouvir!

De mim para todos os "tabanqueiros"... aquele abraço. 

Silvério Dias
_________________

Nota do editor:

(*) Vd. postes de:

24 de março de  2014 > Guiné 63/74 - P12894: Tabanca Grande (430): Silvério Dias, 1º srgt art ref, o senhor PIFAS, e "poeta todos os dias!...Nove anos de permanência em terras guineenses, incluindo uma comissão na CART 1802 (Nova Sintra, 1967/69)... É agora o grã-tabanqueiro nº 651


30 de março de 2014 > Guiné 63/74 - P12914: (In)citações (63); Senhor Ministro da Defesa, vamos lá falar, com toda a franqueza: dizer-lhe que militar não é, propriamente, um funcionário público. Já lhe ocorreu pensar nesta verdade? (Silvério Dias, ex-2º srgt art, CART 1802, Nova Sintra; ex-locutor do PFA, QG/CTIG, Bissau, 1969/74)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Guiné 63/74 - P10673: O PIFAS de saudosa memória (18): Compactos de gravação, Parte III: excerto áudio de "Nocturno" (Garcez Costa, ex-fur mil, 1970/72, ex-radialista)




Guiné, Bissau, PFA - Programa das Forças Armadas, c. 1970-72. Excerto do programa Nocturno... Compacto aúdio, de Garcez Costa, antigo radialista do PFA. Na foto, o 1º sargento Dias e o fur mil Garcez Costa; em segundo plano, o saudoso Zé Camacho Costa, o grande actor desaparecido.

Vídeo (4' 26''): Luis Graça / Garcez Costa (2012)


1. Mensagem do Garcez Costa, ex-radialista do PFA - Programa das Forças Armadas (1970/72), com data de 21 de setembro último:

De acordo com a promessa seguem anexados 3 compactos de gravações que aqui e acolá foram para o ar...

A compilação está referenciada com os indicativos:

1 - P.F.A. (Programa das Forças Armadas) [vd, aqui, poste de 7/10/2012]

2 - P.F.A. Nocturno

3 - Noite 7 (Emissão especial aos Sábados) [vd. aqui, poste de 23/10/2012]

Viva o Pifas e quem o apoiar!
G.C. [Garcez Costa]

2. Comentário de L.G.:

Por lapso, estes compactos áudio não foram publicados pela ordem sugerida pelo nosso camarada Garcez Costa, lapso de que pedimos desculpa a todos. Publicamos hoje um excerto do programa Nocturno.  Estes ficheiros, enviador pelo Garcez,  em formato mp3, têm de ser convertidos em formato vídeo, de modo a poderem ser inseridos no blogue.
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Notas do editor:

(*) Vd. poste de 23 de outubro de 2012 > Guiné 63/74 - P10561: O PIFAS de saudosa memória (16): Compactos de gravação, Parte II: excerto áudio de "Noite 7" (emissão especial aos sábados) (Garcez Costa, ex-fur mil, 1970/72, ex-radialista)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Guiné 63/74 - P10393: O PIFAS de saudosa memória (14): Garcez Costa e mais alguns camaradas do seu tempo (1970/72)


Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 > Álbum de Garcez Costa > Foto nº 7 > O Zé Pifas, alcunha do Garcez Costa...



Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 > Álbum de Garcez Costa > F
oto nº 1 > Da esquerda para a direita: Arlindo  de Carvalho e Camacho Costa [, Arlindo de Carvalho é uma figura pública: gestor e político, militante e dirigente do PSD,  foi presidente do conselho de administração da Radiodifusão Portuguese, e ministro da saúde, do XI e do XII Govermo Constitucional]



Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72  > Álbum de Garcez Costa > Foto nº 2 > O Garcez Costa e o João Paulo Diniz (ao volante)


Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 > Álbum de Garcez Costa > Foto nº 4  > Da direita para a esquerda:  Garcez Costa e João Paulo Diniz, à porta das instalações do Comando-Chefe das Forças Armadas




Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 > Álbum de Garcez Costa > Foto nº 3> O João Pauio Diniz



Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 > Álbum de Garcez Costa > Foto nº 5  >  Maria Eugénia, a popular "senhora tenente", esposa do 1º sargento Silvério Dias



Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 > Álbum de Garcez Costa > Foto nº 6 > António (Tony) Carvalho


Fotos: © Garcez Costa (2012). Todos os direitos reservados



1. Mensagem do nosso camarada Garcez Costa, com data de ontem [O Garcez, locutor do PIFAS, foi apresentado à nossa Tabanca Grande no poste P10366 (*); foto atual à direita]


No passado guineense já fui o Zé Garcez e Zé Pifas mas aqui sou o Garcez Costa pelo que determino e mando publicar que seja retirada a referência ao Tony Sacavém destas páginas, pois a mesma faz parte de uma certa dissimulação, de quem utiliza endereços do Messenger, a fim de evitar a invasão de trojans e outros afins. Também espero não estar a invadir a privacidade de cada qual ao remeter estas fotos de arquivo:


1ª - Arlindo de Carvalho / José Camacho Costa

2ª - Garcez Costa / João Paulo Diniz

3ª - João Paulo Diniz

4ª - João Paulo Diniz / Garcez Costa

5ª - Maria Eugénia (a senhora tenente)

6ª - António (Tony) Carvalho

7ª - Eu, já menos puto, de cara rapada mas cabelo um pouco crescido além do permitido, enfim, um miúdo mais homenzinho a ficar "apanhado pelo clima".


Em relação às tuas questões (*) talvez quem sabe numa tertúlia tudo fique melhor respondido. Posso adiantar que ainda não "matei o bicho", no sentido das imagens de som, visto ter instalado em casa um miniestúdio para gozo pessoal e protestos dos vizinhos. 


No regresso da Guiné era impossivel a minha integração nos quadros da Emissora Nacional, pois estava na lista negra, por motivos não alheios à minha vontade, e de ter sido até apelidado por uma alta patente de "subversivo".

Para a próxima seguem gravações audio.

Adeus e até ao meu regresso.

G.C.
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Nota do editor:


(*) Vd. último poste da série > 11 de setembro de 2012 > Guiné 63/74 - P10366: O PIFAS de saudosa memória (13): O ex-fur mil Garcez Costa, que trabalhou como radialista, ao lado do 1º srgt Silvério Dias, do José Camacho Costa e do João Paulo Diniz... É o nosso grã-tabanqueiro nº 577

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Guiné 63/74 - P10366: O PIFAS de saudosa memória (13): O ex-fur mil Garcez Costa, que trabalhou como radialista, ao lado do 1º srgt Silvério Dias, do José Camacho Costa e do João Paulo Diniz... É o nosso grã-tabanqueiro nº 577


Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 > Álbum de Garcez Costa > Foto nº 1  > Da esquerda para a direita: Silvério Dias, José Camacho Costa  e Garcez Costa




Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 > Álbum de Garcez Costa > Foto nº 2 > José Camacho Costa e Silvério Dias




Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 > Álbum de Garcez Costa > Foto nº 3 – Garcez CosTA A ler "a bíblia" e o João Paulo Diniz à espera qu'eu lhe passe "a bola"


Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 > Álbum de Garcez Costa > Foto nº 4 > Silvério Dias e Garcez Costa (a ler o noticiário)




Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 > Álbum de Garcez Costa > Foto nº5 > No dia da minha estreia aos microfones, fardado a rigor, como quase sempre era obrigatório.

Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas > c. 1970/72 > Álbum de Garcez Costa > Foto nº 6 > Cá estou eu 40 anos depois!


Garcez Costa (2012). Todos os direitos reservados

1. Mensagem do nosso novo grã-tabanqueiro, Garcez Costa, ex-fur mil, que foi locutor no PFA (Guiné, 1970/72),

De: Tony Sacavém

Data: 10 de Setembro de 2012 01:46

Assunto: Blogue - Pifas





Memória de elefante... Digamos que é algo que ainda vou tendo, e não sendo um notável contador de histórias como outros na nossa praça, mais não vou do que fazer uma espécie de cronologia dos factos. Embora reconheça que possam existir algumas imprecisões. Entre os camaradas cujos nomes vou aqui referenciar, posso assim testemunhar aquilo que ainda recordo, nesta página, onde se constata felizmente não haver recalcamentos sublimados de uma guerra colonial, para muitos com as armas às costas.


[Imagem à esquerda: O PIFAS, a mascote do PFA - Programa das Forças Armadas]

Bem vamos ao que interessa:

O P.F.A. - Programa das Forças Armadas tinha instalações na Avenida Arnaldo Schultz, onde funcionava o Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné, sob a tutela do Estado Maior do Exército, com uma tafefa específica a que se chamava Acção Psicológica. 

Daí a intenção da criação por volta de 1967, e cujo primeiro locutor foi Raul Durão, do célebre mais tarde conhecido Pifas, com o fim de transmitir emissões de animação cultural e-musical junto da própria população civil e dos militares aquartelados em toda a região da Guiné Portuguesa. 

Já agora o último a fechar as portas, em 1974, foi José Manuel Barroso, sobrinho do casal Mário Soares/Maria Barroso.

As 3 emissões diárias (12:00-13:00; 18:00-19:00; 23:00-24:00) eram radiodifundidas através do Emissor Regional da Guiné. 

Nos quadros desta estação, enquanto militares, passaram, por exemplo, os compositores Rui Malhoa e Nuno Nazareth Fernandes, e o açoriano António Lourenço de Melo,  da actual RDP-Antena 1.

Eu, de nome completo António Manuel Garcez da Costa, endereço electrónico an_ter_bar@hotmail.com, utilizando Tony Sacavém como pseudónimo, cumpri o serviço militar entre Fevereiro de 70-72, substituído no final da comissão , segundo consta, pelo Armando Carvalheda, considero que:

(i) Após a intervenção logística dos Chefes da Repartição Otelo e depois [Ramalho] Eanes, esses seus empenhos não só contribuíram para a remodelação de todo o equipamento técnico dos estúdios de gravação e directos, como foi o período em que se projectou como mais recursos humanos a área de Rádio e Imprensa;

(ii) Daí que foi uma mais valia, tipo 2 em 1, a conjugação de projectos dos jornalistas José Camacho Costa e Júlio Montenegro com o radialistas Silvério Dias, Garcez Costa, João Paulo Diniz, que foi admitido para render Carlos Macareno;

(iii) De realçar, entretanto, o nosso Chefe de Núcleo Arlindo de Carvalho, hoje figura pública político-partidária;  

(iv) Outro Carvalho foi o António (Tony),  carinhosamente tratado por engenheiro de som e do discotecário Carlos Castro;

(v) E,  claro,  a nossa "tenente",  esposa do nosso primeiro,  que emprestava graciosamente a sua colaboração administrativa e radiofónica;

(vi) Haverá outros nomes aqui em esquecimento mas que seja perdoado por isso.

Agora é assim: Quem tiver corrector corriga o que eu disse; quem tiver mais a dizer prossiga a escrita!

Quanto à gravação anteriormente enviada (*) , reafirmo que parte dos textos do extracto que genericamente dei o título de "Crónica da Guiné" devem ser atribuídos a Júlio Montenegro, e inseriu-se numa programação especial de enorme qualidade no decurso de 1971. 

As vozes são de Silvério Dias, Garcez Costa, João Paulo Diniz, António Carvalho. Este último era também o sonoplasta desta rubrica semanal. A referência à alunagem da Apolo é um registo do disco em vinil do Luís Filipe Costa chamado "Década de 60".

Prometo, entretanto, reformular as gravações em fita magnética, a partir do meu velho gravador de bobines, passando-as aqui para o computador para efeitos de mistura, bem como procurar uma foto do Jantar de Convívio no Pátio Alfacinha em meados dos anos 80.

Junto em anexo algumas fotos pifanianas. E a minha mais actualizada.

1 – Silvério Dias, José Camacho Costa , Garcez Costa

2 – José Camacho Costa , Silvério Dias

3 – A ler "a bíblia" e o João Paulo Diniz à espera qu'eu lhe passe "a bola"

4 – Silvério Dias , Garcez Costa (a ler o noticiário)

5 – No dia da minha estreia aos microfones , fardado a rigor , como quase sempre era obrigatório.

6 – Cá estou eu 40 anos depois!

Saudações militares com continência e tudo.

2. Comentário de L.G.:

Camarada Garcez Costa, ou Tony, simplesmente: considera-te o grã-tabanqueiro nº 577 (**). Sê bem vindo em nome desta toda rapaziada que teima em recordar, com jovialidade e até irreverência,  os seus tempos de Guiné, entre 1961 e 1974...  Como vês, já somos mais do que um batalhão... E, em tua opinião de leitor, somos de facto (e queremos continuar a ser) um blogue  onde não há, genericamente falando,  "recalcamentos sublimados de uma guerra colonial, para muitos com as armas às costas".

Respondeste cabal e assertivamente às nossas perguntinhas (*)... e mandaste-nos mais do que as duas fotos da praxe. É uma honra para nós, teus camaradas e teus ouvintes do PFA, lá nos idos tempos de 1970/72. O teu nome já aqui tinha sido evocado pelo João Paulo Diniz:

(...)  Lembra, com saudade, outra malta que fez o PFA, como o Sargento Silvério Dias e a sua esposa, Maria  Eugénia, que era a tal "senhora tenente", de que muita malta se lembra... (,..) Havia uma vasta equipa, o sargento Silvério Dias, o furriel Garcez da Costa, o furriel Jorge Pinto... O Carvalhêda virá mais tarde...  (...).

Como vês, o "puzzle" da nossa memória vai-se compondo, com uns "baites" daqui e outros de acolá... Já agora deixa-me perguntar-te se foste "mordinho pelo bichinho da rádio", ou apanahdo pelas "ondas hertzianas" ou se,pelo contrário,  nunca mais pegaste num microfone, em estúdio ?...  Diz-nos também em que unidade ias integrado, a caminho da Guiné; e,  por outro lado, como queres ficar registado para a posteridade: Garcez Costa, Tony Sacavém, ou Garcez Costa (ou Tony Sacavém) ? 

Ficamos com água na boca com a tua promessa de nos arranjares mais uns registos áudio do teu tempo de locutor do PIFAS...Um Alfa Bravo. Luis Graça

segunda-feira, 3 de março de 2008

Guiné 63/74 - P2607: In Memoriam (3): Camacho Costa morreu há cinco anos (Torcato Mendonça)

1. Mensagem do Torcato Mendonça (ex-Alf Mil, CART 2339, Mambambo, 1968/69):

Meus Caros Editores

Ontem foi homenageado um Amigo meu. Foi combatente na Guiné. Faleceu, vítima de cancro do pulmão, há cinco anos. Parece ontem e estes óculos são uma… ou eu envelheço rapidamente. Melhor…o oxigénio repara os óculos…não queria chatear mas um dia falaram aqui em homens que combateram ou se piraram da Guiné. Este não foi guerreiro e certamente não desejava isso. Mas certamente foi útil naquele País…

Recuperei parte de um escrito antigo.

Um abraço,

Torcato Mendonça
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2. Combatente na Guiné
por Torcato Mendonça

Serviu aquela Terra, as suas Gentes e, principalmente, as Nossas Tropas mais pela palavra, pelo acto cultural do que pela arma. Provavelmente, mesmo sendo militar, nunca deu um tiro. Mas foi um Combatente, mais um que serviu a Pátria na Província da Guiné.

Conto, voltando à infância longínqua de dois sexagenários. Recordemos então:

Era um miúdo franzino, cabelo liso, despenteado, esvoaçando ao vento e de pele morena. Aparecia sempre pelas férias escolares. Não sei ao certo quando nos conhecemos ou nos vimos pela primeira vez. De muito tenra idade certamente, numas férias escolares, mesmo antes de termos entrado nessas lides. A sua mãe era professora, leccionava na zona de Lisboa mas voltava sempre, nas férias, à sua terra natal, também a dele e a minha por adopção.

Brincávamos com os outros miúdos da nossa idade, aos ninhos e à passarada, no rio em fuga aos progenitores e a vários jogos, apelidados hoje de tradicionais. Crescemos cimentando a amizade que só os miúdos, com a sua sã convivência, conseguem. Fomos para a escola e mais tarde para o colégio, mantendo o grupo unido.


Ele, lá longe, fazia o mesmo percurso, escola, talvez o liceu, o colégio e, se bem me lembro, como os estudos não tinham os resultados desejados pelos pais, foi até Tomar – colégio mais apertado…. As férias continuavam a ser tempo de união, de brincadeiras, de conversas, de outras vivências e convivências, próprias de jovens que, sem darem por isso, foram crescendo.

Ele era diferente. Não só pelo cabelo liso, despenteado e desalinhado. Ele também o era. Mais sensível, mais dado a leituras, escrita, música, poesia e já o teatro. Alegre, de sorriso e piada fácil, preocupava-se mais com o seu sonho, o seu modo de estar e amar a vida do que com os estudos impostos. Conversávamos longamente.
– Lê isto que eu escrevi ou escuta este poema.


Um dia apareceu com uma máquina de filmar… outro sonho. Começamos a contactar menos devido áà roda da vida. Eu num lado, ele no mundo do espectáculo ou da escrita. Teatro, jornalismo e outras deambulações. Víamo-nos, de quando em vez por Lisboa… que saudade e que recordações…

Chegou o dia, aquele dia, a que aos homens da minha geração era posto ponto e vírgula, senão mesmo ponto final. Tempos de humilhação, de desrespeito pela nossa cidadania.
Fui cumprir o serviço militar. Ele foi depois.

Um dia o encontro dramático, ainda hoje arrepiante. Ambos tínhamos ido para a Guiné.
Regressávamos de uma operação, cansados, fartos e com o Geba ali perto. Como vinha á frente informaram-me:
- Cuidado, pois há periquitos a fazer segurança.


Passa palavra, olhos mais abertos. Mais á frente faz-se o encontro. Não pára, só olha e descomprime um pouco.

Vindo do mato a voz de alguém a dizer o meu nome. Olho nessa direcção. Direito a mim, corre um militar com um banana na mão. Olho e não acredito. Estupidamente pergunto:
- Zé, que fazes aqui?


Ele abraça-me, olha-me com as lágrimas a escorrerem-lhe pela face magra. Aperto-o pelos ombros. Não sei se disse algo a tentar reconfortar.

Não era lugar para o Zé Manuel. Combinamos encontrarmo-nos em Bambadinca. Assim o fizemos e o Zé Manel contou-me a sua vida no Xitole ou Saltinho (2406?, não sei).
Mostrou-me as mãos com calos e sinais de bolhas. Aquilo não era para ele nem para nenhum de nós. Só que eu e outros fazíamos a nossa guerra e já tínhamos muito tempo de mato.

Falei com o Capitão dele. A resposta foi, se bem me lembro, esse poltrão nem cavar sabe, isto não é o teatro.

- Nem eu sei cavar,  meu Capitão.

Curiosamente, em futuros encontros, o meu relacionamento com este Capitão foi bom. Compreendi-o. Não gostava de Teatro… Abreviemos.

Pouco tempo depois o Zé estava em Bissau. Perdeu-se, um soldado ou cabo atirador ou telegrafista mas a Rádio em Bissau [, o PFA - Programa das Forças Armadas, ] ganhou um radialista. E não só. E não só.

Eu há cinco anos, como passa depressa o tempo, perdi mais um amigo de infância.

Foi ontem homenageado, pela estação de televisão onde mais trabalhava. Assisti. Ouvi as palavras habituais mas ainda bem que o recordaram. Merecia. Hoje alinhei estas palavras pela saudade que sinto, dele e de outros desse tempo que, desta vida, partiram.
Descansa em Paz, meu querido José Manuel Camacho Costa.


José Camacho Costa (n. Odemira, 8 de Junho de 1946 - m. Lisboa, 1 de Março de 2003), actor português.

(i) Era licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa; 


(ii) Foi crítico de cinema entre 1973 e 1978;

(iii) Mas foi ao teatro, principalmente à comédia portuguesa que mais se dedicou: entre 1976 e 2000 participou em mais de vinte produções dos teatros do Parque Mayer;

(iv) Trabalhou também com os Artistas Unidos onde foi dirigido por Jorge Silva Melo;


(v) Com mais de dez participações no cinema, em filmes como Manhã Submersa de Lauro António, Saudades para Dona Genciana de Eduardo Geada, O Testamento do senhor Napumoceno da Silva Araújo de Francisco Manso ou Ilhéu da Contenda de Leão Lopes;

(vi) Popularizou-se com a sua presença regular nas principais séries televisivas de humor portuguesas, como Os Malucos do Riso de Marecos Duarte (SIC);

(vii) O papel mais conhecido e mais cómico foi o Lelo cuja etnia era cigana, também o mestre André, mendigo, alentejano entre outras personagens;

(viii) Morreu a 1 de Março de 2003, vítima de um cancro pulmonar.

Foi sem dúvida uma grande perda para o humor nacional e sempre sera recordado por todos nós.Não há nimguém como ele.


em Wikipedia
(com a devida vénia)...
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Fixação de texto: vb

Vd. postes anteriores desta série, In Memoriam:

31 de Maio de 2007 > Guiné 63/74 - P1805: In memoriam (1): Adeus, Zé Neto (1929-2007) (José Martins, Humberto Reis, Luís Graça, Virgínio Briote e outros)

6 de Agosto de 2007 > Guiné 63/74 - P2033: In Memoriam (2): O saudoso Amaral da horta e dos presuntos de Missirá (Jorge Cabral / António Branquinho)